quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Origens da Filosofia... E o real castigo dos Deuses


Os deuses jamais desculparam totalmente os homens do crime de Prometeu. O filho de Jápeto, ao roubar o fogo sagrado do Olimpo, deu-nos o que se costuma chamar de nosso maior tesouro: a razão.


Ninguém percebe com clareza a terrível vingança de Atena, que furiosa e não satisfeita em enviar Pandora aos homens, tramou ainda algo infinitamente mais cruel. A deusa de glaucos olhos, que era no fundo bastante ressentida por não dispor da beleza de Afrodite e se ver condenada a só ser notada pela sua inteligência e nunca por sua beleza feminina, despejou sobre a humanidade, aproveitando o ensejo oferecido pelo roubo de Prometeu, seu mais profundo ódio contra sua condição de mulher mal-amada.


Que o fogo roubado incendiasse os homens incessantemente; e eis o requinte do sadismo feminino: que idiotizado, o homem ainda se julgasse especial e enchesse o peito de orgulho da sua condição de churrasco dos deuses.


E no dia seguinte, ao despertar de um sono agitado, um velho sábio afirmou: "tudo é água!". O castigo dos deuses fora entregue. Assim nasceu a Filosofia

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

herói






Tenho um personagem que tento enfiar numa aventura. Coloca-lo numa peça de teatro, num conto, numa aventura qualquer, mas ele nunca consegue chegar ao segundo ato, atravessar primeira pagina ou se empolgar com aventura alguma. Quinze minutos de espetáculo e o herói está morto. Meia pagina do conto e o protagonista já arranjou uma maneira de desaparecer... A aventura? Bom, continua ele sentado, sem a mínima empolgacao. Meu herói escreve uma carta para a namorada, organiza os talheres na mesa, alimenta o cachorro, faz uma refeição cara e, no clímax da trama, desaparece, e atropelado, toma veneno. Meu herói morre como quem pede um sanduíche que nem gosta tanto.



O herói suicida parece até que não suporta viver dentro daquela peça, daquele texto, daqueles diálogos, daquele espetáculo enfadonho e vago, com situações que não dão em lugar nenhum. Começo a pensar no plot e dou uma risada. Gosto dele – desse herói meio torto, meio tolo, que resolve saltar da trama antes que a trama termine com ele.



Meu herói anda estranho. Talvez já cansado do oficio de me impressionar, me encantar com suas peripécias, anda meio acabrunhado, meio parado. Sem vontade de participar dos textos, sem muito trabalho no dia a dia que o apaga, meu herói acaba ficando meio gordo, meio molenga, meio sedentário. Dia desses começou a questionar meu futuro, questionar nosso relacionamento de anos, de tantas certezas e seguranças. Meu herói as vezes me convoca pra uma injecao de realidade. Meu parceiro infalível anda querendo discutir nossa relação de tantos anos.



Esse personagem que insiste em querer me deixar sozinho diante das incertezas do futuro, teima em querer sair também da minha vida. Já deu pra ele. Agora sou adulto, um herói assim não cabe no que se tornou minha criatividade, que agora e usada pra saber fazer melhor uso das minhas parcas economias, pensar numa melhor forma de aproveitamento de tempo no trabalho... Minha criatividade deixou pouco espaço para meu personagem e ele insiste em abandonar as aventuras que sobraram.



: )