segunda-feira, 11 de maio de 2009

Peço licença



Peço licença, mas hoje;





Sentei pra descansar como se fosse um príncipe


Comi feijão com arroz como se fosse o máximo


Bebi e solucei como se fosse máquina


Dancei e gargalhei como se fosse o próximo


E tropecei no céu como se ouvisse música....

sábado, 2 de maio de 2009

Gershwin

Na primavera de 1928, George Gershwin, o criador de Rhapsody in Blue, fez uma turnê pela Europa e encontrou-se com um dos principais compositores de então. Em Viena, visitou Alban Berg, cuja sanguinolenta, dissonante, sublime e sombria ópera Wozzeck estreara em Berlim havia três anos. Para dar boas vindas ao visitante americano, Berg programou a execução, por um quarteto de cordas, de sua suíte lírica, em que depurado, o lirismo vienense, se converte em perigoso narcótico.


Naquela ocasião, Gershiwn dirigiu-se ao piano para tocar uma de suas canções. Ele hesitou. A obra de Berg o deixara atordoado. Seriam suas próprias composiçoes dignas desse ambiente soturno e opulento? Berg lançou-lhe um olhar severo e disse: "Senhor Gershiwn, música é música".

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Notas Sobre Nutrição


   Estou ensaiando uma jornada grande dedicada a musica nesse blog. Um projeto de dificuldade infinita uma vez que sou um voraz consumidor de musica. Mas enquanto isso...

   Eu deveria me envergonhar da maneira como ouço musica. Não são raras as ocasiões em que me vejo almoçando num restaurante a quilo, colocando cancoes no meu prato sem nenhum critério alimentar, apenas obedecendo a fome dos olhos (ou ouvidos). Me pego devorando estilos diversos de musica como quem mistura uma salada e ainda rega todos os legumes com generosas doses daqueles molhos, rose, iogurte, limão... Acabo por devorar vários acordes e riffs na mesma garfada, ficando com a boca cheia e ainda muita vez mastigando menos do que deveria. Restaurantes de comida por quilo são assim; Quanto mais rápido melhor, há que se voltar pra lida diária, há que se tragar o alimento com rapidez... 

  Olhos gulosos não sabem misturar combinacoes nutritivas e acabam por proporcionar ao estômago uma verdadeira orgia alimentar! Quando o sobrecarregado orgao relaxa da digestão, está exausto de tanto esforço, enjoa quando pensa na próxima refeição, solta ruídos grotescos, um horror! Quando abandono a mesa, tomo ar, estico as pernas e se a maré alcalina não me pega de jeito, escrevo um texto enfastiado pra esse blog. 

  Felizmente, nem sempre acontece assim.  Há discos que permitem uma digestão mais leve e muitas cancoes são deliciosos aperitivos pra um paladar sobrecarregado. Resolvo portanto, com a convicção de quem vai começar uma dieta nova pela milhonesima vez, (na segunda feira começo, claro) propor a ingestão de musica saudável, própria a ouvidos exigentes, mas ao mesmo tempo abertos a novidades e experimentacoes que podem surpreender a paladares distraídos. Não importa se novidade, não importa se os acordes foram registrados há mais de meio século... Importa que a relevância "nutricional" da canção, do disco, do contexto, seja la qual for, nos faca abandonar a mesa com aquela deliciosa sensação de satisfação após uma deliciosa refeição. 

 Sem pedantismos, sem muita frescura porque há cancoes que caem no estômago como invencoes geniais de um chef preocupado em pesquisar, combinar ingredientes com cuidado e simplicidade... Nouvelle Cuisine!! Há também aqueles sabores que nos remetem a lembranças boas, momentos felizes, celebracoes a mesa... Comidinhas familiares!! 

  Em dias de downloads infinitos, pesquisas ininterruptas, acesso a artistas de todo lugar do globo, acabamos por ter que ser mais e mais seletivos com o que "comemos". Muita oferta, muita pesquisa, muita coisa pra se ingerir. Podemos com isso ter um banquete regado a iguarias das mais exóticas ou fazer uma gororoba indigesta e insossa. 


  Preparem a barriga! 

  

Meu Favorito!


No Brasil acontece uma coisa. Ou se aceita Guimarães Rosa com paixão ou se assume a atitude do “não entendo, não gosto”sem ter realmente penetrado a obra. Em primeiro lugar é preciso que se compreenda a “alma” dessa criação.

 

- João, como é que você, que fala com essa absurda simplicidade, usa todo aquele “rebuscamento” para criar um conto?

 

Você conhece os meus cadernos, não conhece? Quando eu saio montado num cavalo, por minha Minas Gerais, vou tomando nota de coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada. Cada pássaro que voa, cada espécie, tem vôo diferente. Quero descobrir o que caracteriza o vôo de cada pássaro, em cada momento. Não há nada igual neste mundo. Não quero palavra, mas coisa, movimento, vôo.